Instrumental da banda Ifá fecha festa no Pelô
A banda Ifá Afrobeat fechou o Carnaval no Pelourinho (circuito Batatinha), na noite desta terça-feira, 28, no palco em frente à Casa de Jorge Amado. Os altos decibéis do show instrumental apresentado à meia-luz reuniu dezenas de foliões, a maioria deles com idades entre 20 e 35 anos.
O som essencialmente instrumental abriu uma exceção para parte do público cantar em coro “fora Temer”, refrão habilmente adaptado pelos músicos, e bem recebido pela plateia, que passou a repetir o protesto de outros palcos contra o presidente peemedebista.
Em meio à agitação de corpos jovens dançando ao som instrumental, as amigas Amélia Oliveira, 63 anos, e Bernadete Jidi, 67, se destacavam como as únicas foliãs de cabelos brancos compondo a plateia na ladeira do Pelô. “Não perdemos um show deles”, afirmou Bernadete, parando brevemente a dança.
“Estamos aqui acompanhando a banda porque um dos músico é meu sobrinho e o outro é filho de Bernadete”, explicou Amélia, misturada à rapaziada, enquanto no palco a banda tocava uma mistura de samba de roda com afrobeat.
Perfeitamente adaptadas ao estilo de música da Ifá, as duas amigas se mostraram incansáveis diante do ritmo frenético imposto a partir do palco. “Tem alguém cansado aí na praça?”, quis saber um dos guitarristas, recebendo um sonoro “não” da plateia, que continuou dançando noite adentro.
Mais cedo…
Contrastando com o cenário onde a banda Ifá se apresentaria, as luzes do largo do Pelourinho e o repertório da primeira atração da noite atraíram, mais cedo, a velha guarda para dançar ao som da Muitos Carnavais Marchinhas, grupo com Arnaldo de Almeida, Lalá Carvalho e Janaína Azevedo.
Idosos até então dispersos pela praça se juntaram quase imediatamente para brincar, quando ouviram os primeiros acordes de marchinhas como Ô Abre Alas, Cabeleira do Zezé, Marcha da Cueca, Índio Quer Apito, dentre outros clássicos.
Em meio à muvuca formada, catadores de latinhas juntavam sacolas cheias do material e vendedores ambulantes completavam o orçamento familiar.
Vestido de Homem Aranha, o lavador de carros Jefferson Ferreira, 36, explicou o sucesso de ter vendido 30 pacotes de algodão doce em 60 minutos.
“Ano passado vim normal. Este ano, de Homem Aranha, as crianças vieram atrás”, explicou ele, que havia levado 60 pacotes para vender, cada um, a R$ 3.