Mezzanino Eventos

Bem Gil substitui Jorge Mautner nesta segunda no Carnaval do Pelô

O palco principal do Carnaval do Pelô, no Largo do Pelourinho, terá uma alteração na sua programação para esta segunda-feira, 27. O tropicalista Jorge Mautner, por motivo de saúde, não poderá se apresentar e, por isso, foi substituído por Bem Gil, filho do cantor Gilberto Gil. A apresentação abre o projeto Cena Tropifágica, às 19h.

A banda Cena Tropifágica comanda a festa com clássificos do movimento, além de sucessos da MPB e do axé com a cantora Mariella Santiago.

Daniela veste o poder feminino

Uma saia de 60 metros que se atrelava aos dançarinos. À frente, uma cantora  assumidamente homossexual e que, para o Carnaval deste ano, decidiu falar de empoderamento. Assim, Daniela Mercury chegou ao Farol da Barra na noite de ontem, comandando o bloco Crocodilo e vestindo a obra de arte de Iuri Sarmento. A homenageada da vez era a mulher.

“A expectativa é que as pessoas percebam que o poder da mulher já está colocado”, disse Daniela ao A TARDE, minutos antes de iniciar o desfile. Na sexta, ela já havia homenageado o público LGBT. Hoje, será a vez dos negros.

Segundo Daniela, há, na sociedade, a supremacia do homem branco e hetero e todos os outros segmentos “estão abaixo”, como a mulher negra, os homossexuais, as pessoas trans. Ela disse que quer colocar todos os outros para cima.

“Na sociedade, historicamente, o homem é a norma. O homem hetero, o homem branco. A partir disso, depois deles nesse lugar, todos os outros, as mulheres, as mulheres negras,os homens negros, os homens gays, todos estão em um lugar abaixo disso na hierarquia social. A gente tem que subir todos os outros. A gente tem que equilibrar e fazer com que o homem hetero não seja a norma”, frisou.

A Rainha do Axé disse esperar que a mensagem sobre empoderamento de gays, mulheres e negros seja ouvida, mesmo que a folia baiana tenha a diversão como foco. “Espero que toque o coração de todo mundo. Esse é o poder da arte”, pontuou.

A performer e drag queen Pablo Vitar, convidada especial de Daniela para a homenagem às mulheres, disse que a cantora é uma referência para ela.

“Não tenho palavras para definir como estou me sentindo. Escuto Daniela desde a infância. Acho incrível essa homenagem dela. Estamos vivendo um momento político muito importante”, afirmou Pablo.

Minutos antes dar início ao desfile do Crocodilo, Daniela ainda brindou o público com um encontro com o trio Armandinho, Dodô e Osmar, que seguia em direção ao Farol. Juntos, cantaram Chame Gente, para um público ávido por Carnaval.

Mais axé, afro,  e pagode

Antes do bloco Crocodilo, passaram ainda pelo circuito Dodô atrações como a banda Olodum, os cantores Bell Marques, Durval Lélys, Claudia Leitte e a banda Harmonia do Samba.

Sob um sol escaldante, os tambores do Olodum pareciam anunciar que mais um dia de Carnaval estava apenas no início e fez uma multidão acompanhar em coro um dos clássicos carnavalescos baiano: a canção Faraó, uma divindade do Egito.

Em seguida, foi a vez do ex-vocalista do Chiclete com Banana abrir o primeiro dia do tradicional bloco Camaleão. Antes de dar a largada, Bell recebeu uma homenagem da Polícia Civil. A entidade presenteou-o com uma medalha.

“Vamos lá, gente! Chegou a nossa vez”, bradou o cantor. E o público, chicleteiro ou não, respondeu animado. Foi o suficiente para Bell mostrar o motivo de ser tão admirado e figurar entre as estrelas da axé music. Ninguém ficou parado.

O cantor Luziel se apresentou no camarote da PM da Barra, no dia 27/02, onde animou os foliões do Camarote nos espaços de passagem dos trios elétricos. Também tivemos a apresentação da Banda Patrulha , no circuito do Carnaval.

“No Ilê, eu senti o amor do povo preto”

A primeira vez que eu vi o Ilê Aiyê passar na avenida, eu tinha 8 anos de idade. Não lembro da emoção que senti naquele momento, mas quando eu recebi o convite para desfilar pelo bloco e vir aqui contar minha experiência, minha alegria foi genuinamente infantil. Comentei com amigos próximos: “Vou chorar”. E chorei. Ainda estou um pouco emocionada escrevendo esse texto, confesso.

Às 19h30 em ponto, enquanto subia a ladeira do Curuzu, para a concentração do bloco, no sábado, senti uma energia vibrando dentro de mim. Talvez eu nunca saiba explicar o que era essa energia. Ao ver todas aquelas pessoas juntas, esperando a Pérola Negra fazer sua 43ª passagem pelo Carnaval, eu tive a confirmação do poder do Ilê. Sou mulher negra e, mesmo modestamente, faço parte da militância. Em nenhuma das rodas de conversas de que participei, tive a experiência que o Ilê me deu.

Enquanto estive ali, senti o amor do povo preto. Eu vi irmãs e irmãos unidos, eu vi casais amando-se e orgulhosos de estarem ao lado um do outro. Eu vi toda uma comunidade que era Ilê Aiyê, mesmo não estando com os adereços do mais antigo bloco afro de Salvador. Eu vi crianças, vi idosos e soube que aquele amor era passado por gerações às quais eu nem saberia estimar quantas.