Mezzanino Eventos

Daniela veste o poder feminino

Uma saia de 60 metros que se atrelava aos dançarinos. À frente, uma cantora  assumidamente homossexual e que, para o Carnaval deste ano, decidiu falar de empoderamento. Assim, Daniela Mercury chegou ao Farol da Barra na noite de ontem, comandando o bloco Crocodilo e vestindo a obra de arte de Iuri Sarmento. A homenageada da vez era a mulher.

“A expectativa é que as pessoas percebam que o poder da mulher já está colocado”, disse Daniela ao A TARDE, minutos antes de iniciar o desfile. Na sexta, ela já havia homenageado o público LGBT. Hoje, será a vez dos negros.

Segundo Daniela, há, na sociedade, a supremacia do homem branco e hetero e todos os outros segmentos “estão abaixo”, como a mulher negra, os homossexuais, as pessoas trans. Ela disse que quer colocar todos os outros para cima.

“Na sociedade, historicamente, o homem é a norma. O homem hetero, o homem branco. A partir disso, depois deles nesse lugar, todos os outros, as mulheres, as mulheres negras,os homens negros, os homens gays, todos estão em um lugar abaixo disso na hierarquia social. A gente tem que subir todos os outros. A gente tem que equilibrar e fazer com que o homem hetero não seja a norma”, frisou.

A Rainha do Axé disse esperar que a mensagem sobre empoderamento de gays, mulheres e negros seja ouvida, mesmo que a folia baiana tenha a diversão como foco. “Espero que toque o coração de todo mundo. Esse é o poder da arte”, pontuou.

A performer e drag queen Pablo Vitar, convidada especial de Daniela para a homenagem às mulheres, disse que a cantora é uma referência para ela.

“Não tenho palavras para definir como estou me sentindo. Escuto Daniela desde a infância. Acho incrível essa homenagem dela. Estamos vivendo um momento político muito importante”, afirmou Pablo.

Minutos antes dar início ao desfile do Crocodilo, Daniela ainda brindou o público com um encontro com o trio Armandinho, Dodô e Osmar, que seguia em direção ao Farol. Juntos, cantaram Chame Gente, para um público ávido por Carnaval.

Mais axé, afro,  e pagode

Antes do bloco Crocodilo, passaram ainda pelo circuito Dodô atrações como a banda Olodum, os cantores Bell Marques, Durval Lélys, Claudia Leitte e a banda Harmonia do Samba.

Sob um sol escaldante, os tambores do Olodum pareciam anunciar que mais um dia de Carnaval estava apenas no início e fez uma multidão acompanhar em coro um dos clássicos carnavalescos baiano: a canção Faraó, uma divindade do Egito.

Em seguida, foi a vez do ex-vocalista do Chiclete com Banana abrir o primeiro dia do tradicional bloco Camaleão. Antes de dar a largada, Bell recebeu uma homenagem da Polícia Civil. A entidade presenteou-o com uma medalha.

“Vamos lá, gente! Chegou a nossa vez”, bradou o cantor. E o público, chicleteiro ou não, respondeu animado. Foi o suficiente para Bell mostrar o motivo de ser tão admirado e figurar entre as estrelas da axé music. Ninguém ficou parado.