Se o Carnaval de Salvador é sinônimo de alegria e liberdade, os shows de Liniker e os Caramelows, As Bahias e a Cozinha Mineira e Tássia Reis parecem encaixar-se perfeitamente neste conceito, pois foi isto que aconteceu no largo do Pelourinho ontem à noite.
“Eu sou baiana, então tocar no Carnaval é uma realização, pelo significado da festa, além do tema ser Tropicalismo. A gente vem dessa raiz”, declarou Assucena, vocalista da banda As Bahias e a Cozinha Mineira.
Ela ainda afirmou que o Carnaval possibilita o que a banda tem como princípios: a liberdade e a diversidade. Na mesma linha de pensamento, segue Liniker: “Acho que é o nosso encontro, é a celebração enquanto artistas”, completou.
Corpo e verbo
A primeira a subir no palco foi Tássia Reis, vestida em um macacão rosa brilhante. “A mulher negra tem que se reinventar”, pronunciou ela, para abordar o problema de a mulher negra sofrer duplo preconceito, o racial e o sexual.
Com um discurso corporal, que não precisou das palavras para compor, a cantora demonstrou que a mulher gorda também pode sensualizar e mexer o corpo sem medo.
Ainda em sua apresentação, ela cantou a insatisfação sexual das mulheres ao transar com alguns homens, por meio da frase “precisa melhorar na cama”.
Parceria
Por volta das 19h30, quando o largo do Pelourinho já estava cheio, Liniker subiu ao palco e cantou com Tássia a composição que fizeram em parceria, BoxOKÊ.
O show seguiu só com Liniker e os Caramelows, depois o grupo As Bahias e a Cozinha Mineira. Mas, mesmo dando espaço para outras apresentações, o trio que se apresentou antes permaneceu no fundo do palco, torcendo um pelo outro.
Davison Dias, 25 anos, foi ao Pelourinho ontem só para ver o encontro das três atrações. “Eu estou aqui para ver algo mais alternativo, inclusive de diversidade”, afirmou o rapaz.